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vinho Brunello di Montalcino

Vinho Brunello di Montalcino: tudo o que você precisa saber sobre o vinho italiano que ganhou destaque mundial

Há indícios de que o vinho surgiu há mais de 7 mil anos. E atualmente existem cerca de 5 mil variedades de uvas viníferas. Ou seja, uvas próprias para a produção dos vinhos. Apesar dessa enorme variedade de uvas, alguns vinhos conseguem se destacar dos demais. É o caso do vinho Brunello di Montalcino. 

No universo dos enófilos, o vinho Brunello di Montalcino é um dos mais famosos entre os vinhos tintos italianos. Este vinho é feito de Sangiovese, a uva típica da Toscana, região onde a bebida é produzida. Conheça abaixo mais sobre o Brunello di Montalcino e porquê ele se diferencia dos demais vinhos tintos. 

Origem do Brunello di Montalcino

A produção de vinhos na região da Toscana

A produção de vinhos na região italiana da Toscana é crescente desde a Idade Média. Atualmente a região é conhecida por seus vinhos jovens tintos de mesa, como por exemplo o Chianti e o Chianti Clássico, que são tradicionais da Toscana. 

Além dos vinhos produzidos com Sangiovese, a Toscana também é conhecida pela produção dos Super Tuscans, vinhos tintos fabricados com um padrão internacional e com a utilização de uvas como Cabernet Sauvignon e Merlot. Outros vinhos toscanos conhecidos são os Montepulciano, Carmignano e Maremma. Já os vinhos brancos são mais produzidos na área de San Gimignano. 

Contudo, ao sul da Toscana, também há o destaque da vinícola mundial: a criação do Brunello di Montalcino. Este, juntamente com o Barolo é um dos vinhos tintos italianos mais aclamados e reconhecidos mundialmente. 

A história do Brunello di Montalcino

O Brunello di Montalcino é um vinho europeu produzido na região de Toscana, especificamente na comuna de Montalcino, província de Siena, na Itália. Seu conceito foi criado na primeira metade do século XIX, pelo farmacêutico Clemente Santi — um dos ancestrais da família Biondi Santi, uma das vinícolas mais tradicionais da Itália.  

Apesar da formação, historiadores indicam que Santi era encantado por viticultura, o que o levou a estudar com mais atenção as variedades de uvas da região e seus possíveis clones. A partir destes estudos, o farmacêutico criou um clone das uvas Sangiovese, as uvas Sangiovese Grosso. Localmente, foi intitulado de Brunello devido a sua cor ser particularmente mais escura que as demais uvas. 

Embora também seja cultivado em outras regiões da Itália, esse clone só se desenvolve melhor e atinge maturação perfeita sob as condições climáticas e de solo de Montalcino — fator que contribui para que Brunello se destaque dos demais vinhos. O clima de Montalcino é mediterrâneo, com chuvas na primavera e no outono (cerca de 700 mm por ano). Já os vinhedos estão situados em colinas mais baixas (com 500 metros de altitude) e seu solo é argiloso e rico em calcário. Tais características totalmente naturais contribuem para que a produção dos vinhos tenha um toque de mineralidade, sem deixar de ser bem estruturados com qualidade ímpar. 

Com base no clone desenvolvido por Clemente, seu neto, Ferruccio Biondi-Santi, deu início a produção de um vinho tinto que logo de início trouxe excelente qualidade, sendo este o Brunello di Montalcino. No entanto, na época, esta região estava passando por uma devastação causada por uma praga. Isso fez com que muitos vinhedos fossem descontinuados. Mas Ferruccio não desistiu e quis selecionar a melhor casta para criar um vinho tinto longevo. 

Com as uvas Sangiovese Grosso isso foi possível. Cerca de 30 anos depois, um relatório de uma comissão ampelográfica de Siena analisou um Brunello de 1843 e concluiu que suas características permaneceram imutáveis, conservando a bebida durante todo este tempo. Sinal de que a qualidade das uvas eram realmente boas. 

A bebida se tornou conhecida e muito apreciada por anos somente na região ao redor da zona de produção. Somente cerca de 1950 que o Brunello di Montalcino ganhou fama e espaço nas demais regiões da Itália e por todo o mundo. 

Características do Brunello di Montalcino 

Devido a sua produção diferenciada e sua grande longevidade, o Brunello di Montalcino é um dos vinhos tintos com muita importância na Itália. Além disso, foi comparado com a qualidade da produção francesa e foi o primeiro vinho do país a ganhar o selo DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) em julho de 1980, com uma autorização por meio de um Decreto do Presidente da República Italiana na época. Em maio de 1998 foi modificado pelo Decreto Ministerial.

A região em que o Brunello é produzido possui área de 2.100 hectares e atualmente conta com 250 produtores. Sendo cerca de 7.000.000 litros produzidos por ano. Para produzir um bom Brunello, à altura da sua fama já comprovada, é preciso seguir algumas regras. Por exemplo, sua fabricação deve contar com 100% das uvas do tipo Sangiovese Grosso, e o cultivo das uvas deve ter um rendimento máximo de oito toneladas por hectare. 

Com isso, o Brunello di Montalcino só pode ser obtido com uvas cultivadas exclusivamente localizadas na zona determinada por Lei, além da exclusividade da uva Sangiovese Grosso. Nos rótulos, é permitida a referência da região de produção das uvas. 

Além disso, antes de chegar ao mercado, deve amadurecer por, pelo menos, 50 meses. Dentre esse período, 24 meses deve ser conservado em barris de carvalho e o restante em garrafa. Alguns deles, podem chegar a um tempo mínimo de envelhecimento de 62 meses. Por fim, o seu teor alcoólico deve ser, no mínimo, de 12,5%. 

Estas regras de produção resultam na boa longevidade dos Brunello di Montalcino, sendo um vinho com excelente capacidade de guarda, já que conservam ao máximo o teor de polifenóis das uvas, podendo durar por muitos anos, dependendo da forma e cuidado com o armazenamento. Logo, apesar de algumas técnicas na produção se diferenciarem de outras, sua essência se mantém: é um vinho elegante, equilibrado e com um aroma limpo ao olfato. Por essa essência, que se perpetua ao longo de tantos anos, o Brunello é único dentre os demais vinhos tintos que existem, tanto por sua alta qualidade quanto pela sua fama mundial. 

Quanto às suas características, o Brunello é um vinho bem estruturado, complexo e com teor alcoólico que equilibra com os demais atributos da bebida. Por ter o selo DOCG, sua produção sempre mantém um alto padrão, controlado por lei e seguindo as legislações e normas definidas pelo selo.

Mas o que o diferencia de fato dos outros vinhos Sangiovese?

Em pesquisa da revista Adega, Giacomo Bartolommei, enólogo da Caprili, diz que: “O Sangiovese usado em Montalcino é um clone diferente do utilizado em outras áreas vitícolas. A diferença está muito na pele, o clone de Montalcino é muito rico em antocianinas e, portanto, tem uma pele mais grossa”. 

Além dessa característica da uva em si, o enólogo da Caparzo, Massimo Bracalente, ressalta que a vinha de Sangiovese é muito variável, tanto que hoje conhecemos cerca de 80 clones que produzem vinhos com características diferentes. Mas os clones usados em Montalcino também são usados em outras partes de Itália. 

Apesar disso, há sim um diferencial do Brunello di Montalcino dos outros vinhos Sangiovese: o seu terroir. Ou seja, a relação entre o solo e o clima particular de cada região, que afeta diretamente na qualidade e características das uvas e, consequentemente, resultando na qualidade de um bom vinho. Bracalente afirma que o mesmo clone tem diferentes comportamentos dependendo de onde for cultivado. 

Por isso, ao comparar Montalcino com outras regiões italianas que também cultivam Sangiovese, é possível destacar que Montalcino tem um clima ideal que não é encontrado nestas outras regiões. Sendo quente o bastante para produzir uvas maduras, mas sem afetar o ciclo vegetativo. Já que o clima também é seco, mantém a qualidade e saúde das uvas, diferente das regiões mais úmidas e nubladas da Itália, por exemplo.

As variações do Brunello di Montalcino

Com seus atributos e características marcantes, o Brunello di Montalcino possui algumas variações da bebida. Confira abaixo quais são os outros tipos da bebida: 

Brunello di Montalcino Riserva: é produzido com uvas produzidas em vinhas com, pelo menos, 25 anos. Seu período de amadurecimento acontece por 36 meses em barris de carvalho e depois mais 6 meses em garrafas. O Riserva é produzido apenas em safras excepcionais. Além disso, pode ser envelhecido até 70 ou 80 anos, de acordo com seu armazenamento adequado. 

Brunello di Montalcino Annata: diferente do vinho anterior, este é produzido por uvas provindas de vinhas de 10 à 25 anos. Além disso, também é afinado por 36 meses em barris de carvalho, mas em garrafa pode ser apenas por 4 meses. O Annata pode ser envelhecido entre 30 e 40 anos. 

Rosso di Montalcino: um vinho mais jovem, é produzido com uvas de 5 à 10 anos e afinado por apenas 12 meses em barris de carvalho e 4 meses em garrafa. Seu envelhecimento pode variar entre 15 e 20 anos. 

Rosso di Montalcino fáscia rossa: produzido como uma alternativa ao Brunello. Ou seja, este vinho é produzido apenas nos anos em que a safra não chega a qualidade ideal para um bom Brunello. A bebida é afinada por 12 meses em barris e 4 meses em garrafa. Também pode ser envelhecido entre 10 e 15 anos.

Como harmonizá-lo bem com comida? 

Os Brunello di Montalcino comumente possuem aromas de frutas secas e cristalizadas, musgo, geleia de frutas, defumados, baunilha, couro, pimenta preta, alcaçuz e o carvalho (dos barris onde o vinho é amadurecido por meses antes do seu engarrafamento). Para desfrutá-lo da melhor maneira possível, degustando de todos os seus aromas e sensações, é indicado decantá-lo por, pelo menos, uma hora antes de servi-lo. Sendo assim, é indicado também consumir a bebida entre 16º e 18º C. 

Para harmonizá-lo nas refeições, por ser um vinho tinto poderoso, o Brunello di Montalcino vai bem com acompanhamentos igualmente marcantes, que contribuem para ressaltar ainda mais seus sabores e qualidades únicas. Por isso, opte por carnes vermelhas leves ou de caça, como de javali, que são mais exóticas e complexas — assim como o vinho. Além disso, aves nobres, temperos bem produzidos e molhos intensos, cogumelos e trufas podem harmonizar bem com a bebida. 

Outra opção também são os queijos in natura, como o parmesão, o provolone e o gruyère. Ademais, pratos produzidos com estes queijos também conseguem harmonizar bem com o vinho. Contudo, nem tudo pode combinar bem como os pratos indicados anteriormente. 

O que evitar: evite degustar o vinho Brunello com pratos muito apimentados. Ou seja, não confunda temperos bem produzidos e molhos intensos com pimenta em excesso. Busque por especiarias diferentes do que é apimentado em si. Além disso, o vinho pode não fluir bem com molho de tomate ou molhos muito cítricos. Atente-se aos sabores dos ingredientes antes de produzir os pratos finais. Em dias muito quentes, o Brunello também pode não cair bem nas refeições. 

Uma região excepcional para um vinho excepcional 

Com todos estes detalhes sobre o vinho Brunello di Montalcino, é possível concluir que a região onde as uvas e a bebida são produzidas interfere e muito na qualidade final do produto que nos chega aos mercados e adegas. Por isso, além de conhecer sobre os vinhos em si, é necessário entender e se aprofundar nas regiões onde as bebidas são fabricadas. Afinal, em cada região, os solos e climas se alteram totalmente, o que interfere diretamente no terroir. 

Por isso, para quem está iniciando no universo dos vinhos, ter essa curiosidade afinada é essencial para se tornar um bom enófilo e ampliar ainda mais seus conhecimentos a respeito dos vinhos. Pensando nestes aspectos, a Del Vino possui o Curso de Vinhos Com Degustação. Além dos iniciantes no tema, o curso é indicado também para quem possui leve noção sobre a bebida e sua história, contribuindo para muito além de ensinar sobre a história do vinho, como também para mostrar os tipos de vinhos existentes, as uvas mais utilizadas na produção da bebida. O curso também é favorável para quem tem vontade de se aproximar de pessoas com este mesmo objetivo: entender mais sobre o universo das uvas e dos vinhos. 

Crédito das fotos: Pexels

 

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